Olinto MA, Olinto BA. Raça e desigualdade entre as mulheres: um exemplo no sul do Brasil. Cadernos de Saúde Pública (Rio de Janeiro, Brasil) 2000 outubro-dezembro; 16(4):1137-1142.

Objetivos: Colocar em evidência as proporções sócio-econômicas, das diferenças criadas pelo racismo da sociedade brasileira.

Método: Estudo transversal de base populacional, com uma amostra representativa de 2.779 mulheres, de 15 a 49 anos, que vivem em uma cidade do sul do Brasil.

Marco teórico: O estudo baseia-se na análise das desigualdades e das relações raciais, a partir de uma ótica crítica em relação ao mito da “democracia racial”, no Brasil. Assim sendo, o estudo aponta que a compreensão da exclusão social não pode ser limitada a generalizações, que trabalham somente com diferenças regionais ou de gênero, e que silenciam as diferenças na diferença.

Pacientes e participantes: Mulheres entre 15-49 anos, residentes na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.

Intervenções: Nenhuma.

Principais resultados das medições: As mulheres entrevistadas foram 84,6% brancas, 7,7% “pardas” e 7,7% negras.

As mulheres brancas apresentaram uma média de 8,8 anos de escolaridade, no entanto as “pardas” apresentaram 6,9 e as negras 6,6. As diferenças na renda familiar mostraram, que as mulheres brancas tinham uma renda cerca de 1,5 vezes maior que as pardas e 2,5 superior que as negras. No entanto, na cidade de Pelotas, a disponibilidade de água potável é de 95% dos lares; porém, no caso das mulheres negras esse índice cai para 82%. As mulheres pardas e negras apresentam mais uniões matrimoniais não formais e, também, uma porcentagem maior de viúvas, em especial as negras. 13,6% das mulheres negras vivem sozinhas versus 7,9% das pardas e 8,6% das brancas.

A mesma diferença observa-se no comportamento reprodutivo. As mulheres brancas, com renda familiar mais elevada, possuem menos filhos que as pardas e negras. 40% das mulheres negras não usavam nenhum método anticoncepcional.

Conclusões: O estudo mostra a importância de analisar as diferenças no interior de categorias de desigualdades, como é o caso do gênero.

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