Mitre Cotta RM, Muniz JN, Mendes FF, Cotta Filho JS. A crise do Sistema Único de Saúde e a fuga para o mercado. Ciência e Saúde Coletiva 1998; III(1): 94-105.

Objetivos: Analisar a relação entre o setor público e o privado na saúde em Minas Gerais, no Brasil.

Metodologia: Qualitativa. Entrevistas em profundidade com pessoas relevantes no processo de construção e implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), vinculados ao setor público e ao privado.

Resultados: A análise do material, produzido com as entrevistas, permite mostrar que as formas perversas da interação entre o sistema público com o mercado, conseqüência da maneira desorganizada que o governo implementou a reforma sanitária, gera um retrocesso na forma de financiar a saúde no Brasil. Por um lado, mantêm-se a obrigação da contribuição fiscal dos assalariados com o sistema de saúde e, por outro, o pagamento de seguros privados. Estas modalidades tem dificultado o controle da atenção.

As baixas quantias pagas pelo SUS aos estabelecimentos privados, que formam parte da rede de prestadores do sistema, somadas ao controle que os impedem de realizar tratamentos dispendiosos, sendo poucos deles necessários, e o atraso nos pagamentos fazem com que o Estado não seja um cliente "lucrativo e confiável". Por sua vez, a população, especialmente a classe média e as empresas que fornecem cobertura médica a seus trabalhadores, descontente com a atenção dada pelo serviço público e privado com o financiamento do SUS, associa-se aos planos médicos privados.

Conclusões: Os mecanismos que combinam financiamento público e prestadores privados lucrativos que oferecem uma atenção diferencial, dependendo se o paciente é do SUS ou privado, instaura um processo de salve-se quem puder, que favorece uma fuga da população para o mercado privado, sem uma saída de fato do sistema público.

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