Schraiber L, d’ Oliveira A, França JI, Strake S, de Oliveira E. A violência contra mulheres: demandas espontâneas e busca ativa em unidade básica de saúde. Saúde e Sociedade (São Paulo, Brasil) 2000; 9(1/2): 3-15.

Objetivos: Realizar um diagnóstico da situação nos serviços primários, para avaliar as demandas referentes a violência por parte das usuárias de uma unidade básica da rede pública. Os autores compararam a demanda espontânea com a busca ativa de casos.

Metodologia: Quanti-qualitativa, através da observação participante, análise de informes médicos, grupos focais e questionários.

Resultados: O questionário permitiu uma melhor detecção de casos de violência, que o estudo das histórias clinicas. Das respostas ao questionário, 56,8% dos 322 casos analisados detectaram casos de violência como primeiro episodio na vida, dos quais 15,2% ocorreram no último ano. No entanto, as análises das histórias clinicas detectavam 8,45% casos de violência. Estes dados revelam, que: a demanda espontânea e a possibilidade de que nas consultas as mulheres manifestam ter sido objeto de violência é muito menor que nas buscas ativas.

Sendo assim, a análise da informação qualitativa revela a necessidade dos serviços de saúde desenvolverem uma abordagem e cuidados específicos para que a violência contra a mulher possa aparecer, possa ser escutada e que seja oferecido uma solução adequada. Esta solução tem nos serviços de saúde somente uma parte, a outra está nas ações legais e de direitos humanos.

Conclusões: Os autores consideram que, para tornar visível os casos de mulheres em situação de violência, é necessário reorganizar os serviços no sentido de construir, na assistência prestada, canais de comunicação competentes, criar interfaces lingüísticas entre saúde, direitos humanos e a vida privada.

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