Halpern R, Barros F, Horta B, Víctora C. Desenvolvimento neuro-psicomotor aos 12 meses de idade em uma coorte de base populacional no Sul do Brasil: diferenças conforme peso ao nascer e renda familiar. [Desarrollo neuro-psicomotor a los 12 meses de edad en una cohorte de base poblacional en el sur de Brasil: diferencias conforme peso al nacer e ingreso familiar.] Cadernos de Saúde Pública (Rio de Janeiro, Brasil) 1996; 12(supl.):73-79.

Objetivos: Identificar crianças em risco de sofrer atrasos no desenvolvimento neuro-psicomotor, em uma coorte de 12 meses de idade, e investigar a possível associação de um potencial atraso, com o peso ao nascer e à situação sócio-econômica.

Desenho : Estudo de coorte. Em 1993, todas as mães de 5304 bebes nascidos nos hospitais da cidade de Pelotas, Brasil, foram entrevistadas depois do parto. As variáveis estudadas estavam relacionadas com as situações de reprodução demográfica, sócio-econômica e ambientais. As mediações antropométricas foram feitas nas mães e filhos, e se calculou a idade gestacional. O desenvolvimento neuro-psicomotor, destas crianças, foi avaliado através de uma nova versão do Teste de Denver II. Uma amostra aleatória, de 20% das crianças, do universo inicial, foi visitada em suas casas aos 12 meses de idade, para uma segunda avaliação.

Marco Teórico: Sócio-epidemiológico, considerando-se as condições sócio-econômicas, como fatores determinantes do problema estudado.

Pacientes e participantes: Primeira etapa, 5304 mães e seus filhos, nascidos durante 1993, na cidade de Pelotas, Brasil. Segunda parte, 1762 crianças (20% do universo inicial).

Principais resultados das medições: Aos 12 meses, das 1362 crianças avaliadas, 463 (34%) apresentavam prova positiva de atraso no desenvolvimento. Este resultado esteve associado à renda familiar, sendo duas vezes mais freqüente entre as crianças de famílias pobres, que entre as de melhor condição sócio-econômica (p<0,001) As crianças de baixo peso apresentaram um risco três vezes maior, que aquelas com peso ao nascer igual ou superior a 2.500 gramas (p<0,001). Além disso, as crianças que nasceram com um peso inferior a 2.000 gramas apresentaram um risco três vezes maior do que aquelas com peso entre 2.000 e 2.499 gramas.

Conclusões: Os resultados indicam, que o peso ao nascer e a situação sócio-econômica estão fortemente associados com o potencial de atraso no desenvolvimento, das crianças com 12 meses de idade. Estes resultados mostram a necessidade de controle sistemático e de programas de intervenção precoce, em grupos de risco.

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